fbpx

Telessaúde e a redução do absenteísmo: o que os dados revelam sobre o futuro da gestão

Menos faltas, mais eficiência

Por Dr. João Hamilton, diretor médico da NXT Saúde

Para gestores de saúde, diretores clínicos e líderes corporativos, poucas palavras causam tanto desconforto e preocupação quanto “absenteísmo”.

O não comparecimento a consultas médicas agendadas ou as ausências não planejadas de trabalhadores representam um desafio crônico e multifacetado para sistemas de saúde, empresas e políticas públicas.

Esse fenômeno vai muito além da cadeira vazia no consultório médico ou na estação de trabalho; ele gera uma reação em cadeia que resulta em sobrecarga assistencial para as equipes presentes, perda significativa de produtividade e um desperdício massivo de recursos financeiros e estruturais.

Quando um paciente falta sem aviso prévio, o horário é perdido, o médico fica ocioso e outro paciente, que poderia ser atendido, continua na fila de espera.

Historicamente, as taxas de não comparecimento em serviços de saúde oscilavam em patamares elevados, drenando a capacidade de atendimento.

No entanto, o cenário de 2024 trouxe uma confirmação que esperávamos: a telessaúde, consolidada no Brasil e no mundo após a pandemia de COVID-19, deixou de ser apenas uma alternativa emergencial para se tornar a solução mais eficaz na mitigação dessas perdas.

Como diretor médico da NXT Saúde, dediquei-me a analisar as evidências mais recentes para entender o impacto real da saúde digital.

A conclusão é clara: com a infraestrutura digital crescente e a ampliação do uso de teleconsultas, a telessaúde é hoje um instrumento essencial para otimizar agendas, melhorar a adesão ao tratamento e aumentar a eficiência operacional de forma consistente.

2. O Brasil Conectado de 2024: Infraestrutura Pronta para a Mudança

O avanço da digitalização da saúde no Brasil criou as condições favoráveis necessárias para que a telessaúde se integrasse definitivamente à rotina de atendimento.

Se no passado havia dúvidas sobre a capacidade da infraestrutura brasileira para suportar essa mudança, os dados de 2024 as dissiparam de forma categórica.

Levantamentos recentes da pesquisa TIC Saúde 2024 revelam que 92% dos estabelecimentos de saúde no Brasil já utilizam sistemas eletrônicos ou digitais em seu funcionamento.

Este número representa um aumento significativo em relação ao ano anterior e demonstra que a base tecnológica para a transformação digital já está estabelecida na grande maioria das clínicas e hospitais do país.

Mais do que isso, a pesquisa reforça o preparo das pontas do atendimento: praticamente todos os médicos e enfermeiros declararam ter acesso à internet nos estabelecimentos onde atuam. Este reforço das condições estruturais prova que a tecnologia necessária para a implementação de consultas a distância em larga escala está disponível e acessível.

Em 2024, pesquisas nacionais confirmam que a telessaúde está integrada ao cuidado, possuindo um forte potencial de reduzir o absenteísmo, melhorar a adesão às consultas e aumentar a produtividade geral do setor.

Entretanto, apesar dessa robusta infraestrutura tecnológica, um gargalo persiste e merece a atenção imediata dos gestores: a qualificação humana. Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apontam que apenas 23% dos médicos e enfermeiros participaram de algum treinamento em informática em saúde no último ano.

Essa lacuna de conhecimento pode afetar a expansão plena da telessaúde, mas, felizmente, não impede o impacto positivo que já observamos nos indicadores de 2024. O investimento em treinamento é, portanto, o próximo passo crucial.

3. A Matemática da Eficiência: O Que os Estudos de 2024 Comprovam

Ao longo de 2024, diferentes estudos científicos demonstraram que a telessaúde reduz consistentemente as taxas de absenteísmo em consultas médicas e serviços de acompanhamento. Não se trata de uma suposição, mas de fatos baseados em dados.

3.1. O Cenário Internacional: Faltas Reduzidas pela Metade

Um estudo de grande relevância internacional, publicado em 2024 na base de dados PubMed, trouxe números impactantes ao avaliar mais de 30 mil atendimentos. A pesquisa demonstrou que as consultas realizadas por telemedicina apresentaram uma taxa de não comparecimento de apenas 12%.

Para colocar isso em perspectiva, essa taxa é aproximadamente a metade da taxa de 25% observada nas consultas presenciais no mesmo estudo.

Essa diferença de mais de dez pontos percentuais representa uma economia significativa de tempo, recursos financeiros e capacidade assistencial15. Reduzir as faltas pela metade significa duplicar a eficiência da agenda em relação aos horários que seriam perdidos.

3.2. Evidências Brasileiras: Produtividade e Fluxo

No contexto brasileiro, os benefícios são igualmente expressivos. Um estudo focado no “Programa TeleNordeste” (realizado entre 2021 e 2023 e publicado em 2024) demonstrou que a telessaúde gerou uma redução expressiva da perda de produtividade entre os trabalhadores acompanhados.

A lógica é simples e direta: o programa diminuiu drasticamente o tempo gasto pelos pacientes com deslocamentos para consultas presenciais, permitindo que retornassem às suas atividades laborais mais rapidamente.

Outro estudo nacional, que analisou a implementação de sistemas digitais de agendamento e atendimento remoto, identificou uma redução de 20,38% do absenteísmo após a digitalização da jornada do paciente.

Esses dados reforçam que a telessaúde é altamente eficaz para evitar faltas que poderiam ser prevenidas e para melhorar o fluxo de assistência, garantindo que o tempo do médico e do paciente seja respeitado.

4. Por Que Funciona? Os Mecanismos da Redução de Faltas

A telessaúde não resolve o problema por acaso; ela ataca as causas raízes do não comparecimento por meio de diversos mecanismos práticos:

4.1. Conveniência e Fim das Barreiras Logísticas

A ausência da necessidade de deslocamento físico reduz custos com transporte, elimina o tempo de viagem e remove obstáculos logísticos — fatores que, historicamente, representam uma das maiores causas de não comparecimento aos serviços de saúde.

O paciente não precisa mais enfrentar o trânsito ou gastar horas em transporte público para uma consulta de retorno rápido.

4.2. Flexibilidade de Horários

As teleconsultas permitem agendamentos em intervalos mais amplos e compatíveis com a rotina complexa dos usuários.

É muito mais viável para um paciente conectar-se ao médico durante um intervalo no trabalho ou de casa, do que tirar um dia de folga. Isso diminui drasticamente as ausências motivadas por conflito de horários.

4.3. Redução do “Custo de Oportunidade”

Para os trabalhadores, consultas a distância reduzem o tempo de ausência do trabalho, preservando sua produtividade e renda, um fator especialmente relevante na saúde ocupacional.

4.4. Maior Adesão ao Acompanhamento

Grupos específicos, como pacientes com doenças crônicas, gestantes, idosos e pessoas com mobilidade reduzida, tendem a ter uma adesão muito maior ao tratamento quando acompanhados digitalmente, pois o esforço físico para comparecer à consulta é eliminado.

4.5. Processos Automatizados

Sistemas modernos de agendamento eletrônico utilizam lembretes automatizados (mensagens de texto, correio eletrônico), o que reduz esquecimentos e falhas administrativas, diminuindo as faltas involuntárias.

5. Desafios Atuais e o Caminho do Meio

Embora os avanços sejam significativos, alguns entraves persistem e exigem maturidade na gestão. A baixa capacitação em informática em saúde, citada anteriormente, é um freio para a inovação.

Além disso, ainda enfrentamos a resistência cultural de alguns profissionais e usuários acostumados ao modelo tradicional e a infraestrutura desigual em regiões remotas do país.

É fundamental reconhecer que a telessaúde não substitui integralmente o cuidado presencial, mas o complementa de forma estratégica. Casos que exigem exame físico detalhado necessitam de um modelo híbrido. O segredo do sucesso não é a substituição total, mas a integração inteligente.

6. Implicações para o Futuro: Gestores e Empresas

Para as empresas, a adoção da telessaúde como benefício corporativo é uma decisão financeira inteligente: reduz licenças médicas, evita deslocamentos desnecessários e diminui as faltas por consultas de rotina.

Já para gestores de clínicas, hospitais e do Sistema Único de Saúde (SUS), os dados sugerem que investir em telessaúde é a melhor forma de reduzir o desperdício de consultas, melhorar a eficiência das agendas médicas e otimizar recursos escassos.

No setor público, a expansão dessa modalidade contribui para uma maior equidade no acesso e uma melhor distribuição da demanda entre os serviços.

7. Conclusão

Os dados apresentados neste artigo demonstram que a telessaúde é uma ferramenta consolidada e eficaz para reduzir o absenteísmo em consultas e ambientes de trabalho.

Em 2024, estudos nacionais e internacionais mostraram uma diminuição consistente das taxas de não comparecimento, maior produtividade e melhor gerenciamento do cuidado.

Para maximizar seus efeitos, é necessário investir em capacitação profissional, melhorar a infraestrutura tecnológica e integrar modelos híbridos de atendimento.

Ainda assim, a telessaúde já se mostra essencial para um sistema de saúde mais eficiente, moderno e acessível.

Na Noxtec, acreditamos que a tecnologia é o meio para uma saúde mais humana e eficiente. A redução do absenteísmo é apenas o primeiro passo dessa transformação.

Veja mais
plugins premium WordPress