Automação laboratorial: como a interoperabilidade aumenta a eficiência na saúde digital
Descubra como essa tecnologia pode eliminar gargalos operacionais e possibilitar uma entrega diagnóstica muito mais ágil
Imagine que você está no centro de uma central de controle, mas ainda sem automação laboratorial. De um lado, o HIS (Hospital Information System) envia pedidos frenéticos; de outro, o LIS (Laboratory Information System) processa dados vitais, enquanto o PEP (Prontuário Eletrônico) aguarda, silencioso, pela informação que salvará um diagnóstico.
Se esses sistemas não conversam a mesma língua, o que você tem não é uma operação, mas um “telefone sem fio” de alta periculosidade.
Para o gestor de TI, a integração laboratorial é mais do que conectar sistemas, é a arte de orquestrar complexidade com previsibilidade e governança. Dessa maneira, convido você a mergulhar em uma jornada técnica onde a interoperabilidade deixa de ser um conceito de prateleira para se tornar o motor de eficiência da sua instituição.
Interoperabilidade: a engenharia por trás da fluidez
Assim sendo, o primeiro passo para uma arquitetura de alta performance é o abandono das integrações “ponto a ponto” — aquelas colchas de retalhos que geram débitos técnicos eternos. Em vez disso, priorizamos padrões globais que guiam o dado com segurança:
Mensageria HL7 e FHIR: O HL7 v2.x permanece como padrão consolidado de mensageria hospitalar. Já o FHIR representa a evolução baseada em APIs RESTful, permitindo interoperabilidade mais flexível, modular e orientada a serviços.
A linguagem comum (LOINC): para que um exame de glicose seja lido da mesma forma em qualquer sistema, aplicamos a padronização LOINC. Em seguida, amarramos essas informações às normas da TISS, garantindo que o faturamento e a assistência falem a mesma língua.
O fio condutor (middleware): a implementação de um middleware robusto permite a comunicação bidirecional com os equipamentos. Dessa forma, reduzimos drasticamente a dependência de transcrição manual, mitigando inconsistências e falhas operacionais.
Quando os números falam
O gargalo pré-analítico: aproximadamente 60% dos erros laboratoriais ocorrem antes mesmo da amostra chegar ao equipamento. Ou seja, falhas no pedido ou na identificação. Consequentemente, ao automatizar essa ponte via integração sistêmica, reduzimos esse risco em até 85%.
A corrida contra o tempo (TAT): dados da HIMSS Analytics apontam que laboratórios integrados alcançam uma redução de 30% a 45% no Turnaround Time. Assim, o que antes levava horas de processamento manual, agora é entregue em minutos, salvando vidas em casos de urgência.
O alívio no suporte: ao trocar integrações customizadas e frágeis por barramentos padronizados, a equipe de TI pode experimentar uma queda de 40% no volume de chamados. Logo, o time para de “apagar incêndios” de sincronização e passa a focar em projetos estratégicos.
Segurança, LGPD e governança
Em tempos de LGPD, o dado laboratorial é um dos ativos mais sensíveis que você gerencia. Assim, a automação não pode ser um convite à vulnerabilidade.
Nesse sentido, podemos estruturar a segurança sob três pilares inegociáveis:
RBAC (Role-Based Access Control): o sistema deve garantir que o dado só esteja visível para quem realmente precisa dele. Além disso, o controle deve ser granular e auditável.
Criptografia e rastreabilidade: Utilizamos protocolos TLS 1.3 para dados em trânsito e criptografia AES-256 em repouso.Em seguida, implementamos trilhas de auditoria imutáveis, essenciais para acreditações como PALC, ONA e CAP.
Resiliência (disaster recovery): Em saúde, sistema fora do ar é sinônimo de risco de vida. Dessa maneira, a arquitetura de nuvem ou híbrida deve prever redundância total. Afinal, a interoperabilidade só é útil se estiver disponível 24/7.
O gestor de TI como figura estratégica
Dessa forma, a TI deixa de ser vista como um centro de custos e assume seu papel de direito: o motor que impulsiona a segurança do paciente e a rentabilidade da instituição.
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